Você conhece a infecção que pode ser transmitida pelos gatos

Esporotricose

A assistente comercial Evelyn Panaccione passou por dias de incerteza depois que uma ferida profunda que não cicatrizava apareceu em seu dedo. A jovem de São Paulo levou vários dias até descobrir que tinha sido contaminada pelo fungo da esporotricose. A doença transmitida por animais contaminados, na maioria gatos, ou material orgânico como terra, folhas e madeira, tem uma grande incidência no estado do Rio de Janeiro, em regiões de São Paulo e já teve casos em cidades como Brasília (DF), Vitória (ES) e Pelotas (RS).  Só no Rio de Janeiro, onde a infecção é de notificação obrigatória, em 2015, foram registrados 982 casos de esporotricose em todo o estado. Evelyn conta que um dos seus gatos apareceu com uma ferida que sangrava no nariz .“Achei que tinha sido por causa de uma briga. Quando fui leva-lo ao veterinário, ele arranhou minha mão esquerda e mordeu meu dedo direito. Cheguei até ir ao pronto socorro tomar as vacinas necessárias. Dias depois meu dedo ficou inchado, dolorido e com uma ferida bem feia. Eu não sabia que ele tinha esporotricose e acabei sendo diagnosticada errado. Tomei vários antibióticos diferentes e não resolvia”.  Após as investigações, um exame no gato feito pela zoonose ajudou a iniciar o tratamento correto. “Só fomos descobrir a doença quando entramos em contato com a zoonose e eles examinaram o gato. Hoje, usando o medicamento certo estou bem melhor. E os outros gatos que eu tenho também estão em tratamento para não terem mais a doença”, conta. O médico Dayvison Freitas, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), local de referência para o assunto, explica que casos parecidos com o Evelyn são recorrentes. “Essa panorama é muito parecido com outros pacientes que já atendemos. Inicialmente  o fungo se parece muito com uma infecção bacteriana”. A esporotricose era inicialmente conhecida como doença do jardineiro. A transmissão inicial ocorria pelo contato com a terra e plantas contaminadas pelo fungo. “Atendíamos, mais ou menos, um caso por ano, geralmente de lavradores ou marceneiros. Em 1998, começamos a ter casos relacionados a contato com gatos contaminados que foram aumentando. Desde 2013 descentralizamos o atendimento, pois não conseguíamos atender a demanda. Por isso, nós capacitamos os profissionais de saúde e o medicamento é disponibilizado na rede pública. Mas até acontecer essa descentralização estávamos atendendo mais de 500 casos por ano”, explica Dayvison. Pela sua natureza, o gato arranha tronco de árvores para limpar as unhas, enterra as fezes e acaba contaminado com o fungo que está na terra. No animal, as feridas se manifestam em todo o corpo, mas principalmente no focinho, e evolui rapidamente, apresentando pus. Eles contaminam outros gatos, cachorros e humanos, geralmente arranhando ou mordendo. Até o contato com pus expelido pela ferida em locais que o bicho esteve deitado pode transmitir o fungo. Nos seres humanos, a doença se manifesta na forma de lesões na pele, que começam com um pequeno caroço vermelho que viram uma ferida profunda. Geralmente, aparecem nos braços, nas pernas ou no rosto, às vezes formando uma fileira de carocinhos ou feridas. O especialista da Fiocruz explica que o tratamento é simples e feito por meio de um medicamento antifúngico. “Se o paciente não trata, a lesão pode ficar meses naquela situação. Quem tem uma queda da imunidade, como pacientes com AIDS, câncer, ou que tomam medicamentos com cortisona pode espalhar com mais facilidade. A ferida pode inflamar e doer muito. O tratamento dura em médio quatro a cinco meses”. O animal também deve ser tratado após o diagnóstico do veterinário. Por isso, não é aconselhado abandonar ou sacrificar o animal com suspeita da doença. Durante o tratamento, é necessário isolar o gato do contato com outros animais, separando-o num ambiente próprio, para que receba os cuidados de que necessita sem comprometer a saúde dos outros bichos da casa. Outro cuidado muito importante: em caso de morte do animal com esporotricose, é essencial que o corpo seja cremado, e não enterrado. Isso porque a micose pode se espalhar pelo solo, espalhando a doença entre outros animais. Quem tem o hábito de mexer na terra, principalmente em regiões endêmicas, deve se proteger com luvas e botas de borracha para evitar o contato com o fungo.

Fonte: Ministério da Saúde

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